A capa da Veja desta semana, "Sozinhos.com?", sobre as redes sociais on-line, me botou para pensar. Não sobre a complexidade de temas como solidão, amizade e carreira, que aparecem na matéria, mas sobre mim. É, sobre mim. Porque em tempos de Twitter, Facebook e Orkut, descobri, com surpresa e, confesso, alegria que não estou sozinha... no narcisismo. Se tem uma coisa que todos esses sites de relacionamento têm em comum é o estímulo da paixão das pessoas por si mesmas. É a época do eu me amo. Um eu me amo sem vergonha, sem culpa.
Assim que você entra no Twitter, a pergunta que berra olhando na sua cara é: "O que você está fazendo?". No Facebook, mais do mesmo, com a questão "O que está na sua mente?" convidando o narciso na frente da tela a compartilhar com seus amigos virtuais o que anda pensando, escrevendo, conjecturando, confabulando.
Não importa se a pessoa está se preparando para ir a um show ou à padaria, se quer reclamar do trabalho ou fazer uma lipo, se descobriu um vídeo incrível no You Tube ou se quer mostrar pro mundo as últimas gracinhas de seu cachorro. A ideia é dividir com geral o que você vê de bom por aí, o que você quer, o que você pensa. E mais suas fotos, seus talentos, suas dúvidas, suas angústias, seus pensamentos (edificantes ou não. Isso definitivamente não importa nos twitters da vida. O que importa é botar a cara lá e falar. Ou melhor, escrever. Ups! Eu quis dizer teclar). Outro dia um amigo escreveu que o Facebook parece uma festa. Gente falando o tempo inteiro, interagindo, comentando, bisbilhotando a vida alheia sem vergonha... tudo no maior silêncio. E é justamente no silêncio da palavra escrita que diminui o peso de admitir, de gritar: sou narcisista sim, e daí?
Por muito tempo pensei que era só eu, mas pelo visto todo mundo quando passa por um espelho dá aquela olhadinha pra ver se tá tudo nos trinques. E olha uma, duas, três incansáveis vezes a imagem que está careca de conhecer. Esse tempo narcísico já estava se apresentando, de mansinho, nos blogs e fotologs espalhados pelo universo virtual, mas os sites de relacionamento são diferentes. Você sabe que está todo mundo ali o tempo inteiro (tá na Veja: "para cada quatro minutos na rede, os brasileiros dedicam um a atualizar seu perfil e bisbilhotar o dos amigos") . Não é como um blog, que existe na esperança de receber visitas e, luxo dos luxos, comentários.
Apesar de a matéria falar sobre superexposição, o narcisismo ficou de fora. Antigamente, no tempo da máquina de escrever (que usei muito), eu achava que as pessoas tinham uma espécie de vergonha de assumir que se amavam. Como se houvesse alguma razão para se envergonhar disso. A gente tem que se amar muito mesmo, não só para poder amar o outro. Temos que nos amar porque somos verdadeiras obras de arte. O corpo humano é um primor, o cérebro e seus labirintos misteriosos idem. Tudo bem, na época das máquinas de escrever não havia um espaço como a internet para mostrar para o mundo o amor incondicional que sentíamos por nós mesmos. Era um tempo esquisito, em que amigo era só quem a gente podia ver e tocar, em que o olho no olho era fundamental e que encontros aconteciam em bares, restaurantes, festas, praia. E nesses encontros falávamos de tudo. De nós, claro, dos nossos problemas, dos nossos trabalhos, mas de um monte de outras coisas. Agora não, é tudo na internet. Enquanto o círculo de amigos próximos diminui, o de contatos virtuais aumenta, diz a matéria.
E essa é a parte triste: é tanto amor por nós mesmos, que o amor pelo outro está sendo deixado de lado. Será que a amizade ficou em segundo plano? Esse plano meio doido, a vida real? Gosto da internet, ela sempre foi minha aliada. Mas, sinceramente, eu gosto de gente. De pegar, de olhar, de rir junto. Não quero saber só por uma tela fria o que meus amigos estão lendo, pensando ou fazendo. Vamos nos amar sempre. Muito! Eu me amo. Mas amo mais um bom abraço apertado, bem dado. Não aquele tapinha mole nas costas. Abraço de verdade. O meu é ótimo, modéstia lá longe. Ah! Se posso dizer sem culpa que me amo, que mal tem em admitir que meu abraço é um espetáculo?
Um forte abraço e mil beijocas de morango!!!
Lindo fim de semana.
Este espaço foi criado pela força da palavra. Por aqueles que, tantas vezes, vieram até mim buscando saber mais sobre o que havia transformado a minha vida. Eis que trago aqui, como uma forma de reconhecimento e de plantio, o bem da palavra que reconduziu o meu caminho ao coração de Deus, de maneira tão concreta e inesperada.
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Amigo: Somos muitos, mesmo sendo dois!
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Adorei o texto amiga!
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